Chico Buarque

CIDADE SUBMERSA – “O ônibus sacudia alegremente pela avenida Rodrigues Alves, as crianças contando alto cada marco da chegada. Armazém 13, Armazém 12, Armazém 11… Para trás ficava a cidade cinzenta, sem mar, dos uniformes escolares e do batente cotidiano. Ali na frente, a poucos minutos, a porta de entrada para o paraíso – a praia, os primos, as avós, a doce vida sem compromisso, as férias ao sol.”

“E quem sabe, então/ O Rio será/ Alguma cidade submersa/ Os escafandristas virão/ Explorar sua casa/ Seu quarto, suas coisas/ Sua alma, desvãos// Sábios em vão/ Tentarão decifrar/ O eco de antigas palavras/ Fragmentos de cartas, poemas/ Mentiras, retratos/ Vestígios de estranha civilização”

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