A descoberta do mundo começa com um susto: a primeira vez em que abrimos os olhos.
Eles são nossa primeira boca – através deles nos alimentamos de imagem. É pelos olhos que ingerimos e digerimos o outro: “o apetite do olho”. Os olhos chegam primeiro. Ocasionalmente envelhecem, mas serão sempre os mesmos, a nos carregar pela vida. Em algum lugar dentro deles está guardada a memória de tudo o que vimos até hoje. Todas as ruas, rostos, casas, quadros, filmes, concertos, amores e despedidas – nossos olhos são espelhos que capturam o que nos rodeia. Essas imagens, impressas no rolo do filme que temos por trás das pupilas, só serão reveladas quando fecharmos os olhos em definitivo. Até lá, nos contentaremos com outras reproduções, seguiremos nossos olhos-esponja, nossas pupilas-aspiradoras pelo labirinto de cores que termina onde as imagens se formam. Todas as imagens se formam na retina.





