Chico Mattoso

NUNCA VAI EMBORA − “O plano em princípio pareceu absurdo, não porque fosse ruim, mas porque me obrigava a tomar uma decisão. Eu sabia que se Camila dizia que queria ir, era porque ia. Não me sentia no direito de contestá-la. Quando começamos a namorar, fui eu quem encheu seus ouvidos com discursos sobre a necessidade de um relacionamento arejaado, de um ambiente livre de cobranças. No fundo, aquela era só a maneira que eu havia encontrado de preparar o terreno para um eventual sumiço da minha parte, uma tentativa de realizar o velho sonnho masculino de comprometer-se sem estar comprometido. Mas talvez também fosse um jeito de convencer aquela morena inverossímil de que eu, um trintão míope e sem futuro, carregava algo de minimamente interessante.”

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